Terça-feira, 17 de Março de 2009
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Bem-vindo à era em que regurgitamos deuses e demais mentiras para sentirmos que estamos a incorrer numa existência e ordem de coisas que é a mais verdadeira possível. Não deste por ela? Começou mesmo ontem, quando alguém se cansou de gritar e gritar, durante toda a sua vida. E no último suspiro acobardou-se e quis que as mentiras fossem verdade. E é sempre assim com tudo: cínicos no ruído, fantasistas nas palavras e vivendo algures entre uma das duas opções. Tu sabes que é assim e eu também e ele também e um dia acabará como todos sempre soubemos e sofreremos como se tivéssemos sido ignorantes.
Publicada por
Luís dos Santos
Etiquetas:
pensamentos,
português,
prosa

5 comentários:
Tenho uma certa curiosidade em saber no que pensa um ateu quando se vê perto da morte. Ou convertem-se por comodismo?
(Gostei da imagem das Sephiroth, mas Sephiroth por Sephiroth, prefiro o da saga Final Fantasy, LOL)
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A morte é um fenómeno pessoal e intransmissível, mas quem vive com um pensamento vitalício de medo por ela, acaba por desesperar face ao momento final. Ou então pode ficar descansado independentemente de acreditar que é o fim ou morrer julgando que não o é. Acaba por ser a soma de muitas coisas das quais nem importa aqui falar. Denunciaria antes aqueles que vivem num limbo comodista entre o acreditar e o não-acreditar conforme lhes convém. São fruto de um religiosismo social por conveniência que lhes está imprimido nas entranhas e que não seria limpo nem pela ingestão de uma barra de sabão.
Ter-se-ia assim três "grupos" de fé, digamos assim? Os totalmente ateus que acreditam que depois não há nada, os crentes para os quais depois da vida há mais vida, e aqueles que por indecisão, se encostam a um dos grupos ou morrem em pânico?
Got it ^^
O Kierkegaard dizia algo do género "Trata-se de encontrar uma verdade que seja uma verdade para mim, de encontrar uma ideia pela qual eu queira viver e morrer, porque é necessário que eu a absorva vitalmente, e isto deve ser o essencial."
Eu cá acho que a maioria de nós procura uma crença unitária de existência que não só explique a morte como também a vida (necessariamente por esta ordem de importância). Um ateu simplesmente não se importa com nada disso, porque se se importasse não era um ateu, era um crente com uma crise de fé.
"Uma verdade que seja uma verdade para mim" acaba por ser redundante... as verdades são válidas a quem pertencem.
E sim, é curioso que se procure explicar espiritualmente a morte, mas não tanto a vida. Simplesmente porque "estamos aqui e pronto".
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