segunda-feira, 30 de maio de 2011 | 0 comentários
Conheci-te outrora em canto, regressando sempre a essa forma e face que desprezavas: solitariamente te esfumaçaste, nesse sufoco morreste. Sobre esse altar ainda continuas cego a servir de ferramenta aos que te invocaram; nesse crepúsculo, abandonaste as vozes que te apaziguavam e amaste esses espinhos de rapina caída. Desse venenoso inverno subliminaste os defuntos, violaste esses esquecidos, colocando uma chama nas suas palmas.

As eras que desvendaste serão infindáveis: do teu trono com peito aberto, contemplas o Sol que nasce sobre teu reino. Acolhe-nos então, de volta à terra, nosso pai.
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 | 0 comentários
Por momentos perdi-me a olhar em êxtase os céus... Permiti-me a tal. Mas quando a chuva começou a cair novamente percebi o prazer que é morrer um pouco mais cada dia.
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009 | 1 comentários
Eras carne e eu era desengano. Só vi a luz sobre o teu corpo na escuridão desse quarto e odiei-me quando caí em mim: era verme tremendo em horroroso plano vindicativo. Quis temer a verdade e apenas consegui vomitar palavras desconexas. Finalmente adormeci e o terror foi tal que preferi deixar-me morrer. Sonhei com estradas, eram cinzentas e tu eras negra. Grãos de areia poluíram-me a vista e senti-me cansado. Muito cansado. Devorei-te, sabias a um nada que não sei atribuir. Também pouco importa, já é tarde.
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sexta-feira, 31 de julho de 2009 | 2 comentários
A tua insignificância é igual à minha. A nossa insignificância é engolida pelas estrelas, as estrelas são engolidas pelo tempo, o tempo é engolido pela negridão do nada.

Assim as palavras se transformam; grandes, pequenas, importantes, irrisórias, todas terminarão no mesmo lugar, após se arrastarem pela sinuosa via do eco das eras. Não temas portanto a morte, não temas o esquecimento, pois o grito dos grandes e dos pequenos no final soará igual: mudo.

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sexta-feira, 26 de junho de 2009 | 1 comentários
A essência do ruído é o vazio no qual este ecoa.
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segunda-feira, 25 de maio de 2009 | 1 comentários
Ficciona o primado do Universo: tudo se deseja arrastar para uma comunhão única e homogénea, empapada nas ruínas da existência moribunda na qual tudo irá jazer. Ficciona, pois só da animalesca confrontação pode advir renovação: o feitiço despido de requintes humanos, o destino final parido no éter, por onde se salvará a totalidade da eternidade.

Tudo deve acabar um dia. Tudo teve algum começo. Em aros partidos se escreveu esta história.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009 | 1 comentários
Vinde forca, de corda, cepo e vento armada, que o meu corpo resistirá. Sob a noite escura e vazia serei rodeado por uma parede branca de lamentos, esquecida pela ficção dos mortos. Do pico descerei como um rei e a minha fúria irá abater-se sobre vós. Vinde, enforcai-vos na corda da vida, no cepo que é o meu braço erguido, no vento que é o destino que não controlais.

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